
Nunca em um filme de Tim Burton sua câmera se movimentou tanto. A tônica é a perspectiva de uma exacerbação cósmica cuja natureza da matéria se revela caótica, no pressionar epidérmico da imagem. A princípio, os resultados são precisos. Tomemos de lembrança a apresentação das personagens de Barker e Anthony. Nela, assim como nos melhores trabalhos de Burton, com cinco, seis cortes e um destacado senso de concisão deambulatória, tem-se o essencial ao alinhamento do sentimento/idéia perseguido. O que torna esta cena indicadora do todo desarmônico de Sweeney Todd é a maneira como toda essa dramaturgia enxuta inerente a Burton se perfaz validamente pela flutuação das câmeras através do barco; porque esta posição a que se submete de explorar a epiderme da ação não suprime sua centralidade cênica. Ou seja: a rubrica não toma o que deveria ser encenado em conjunto progressivo de propósitos. Particularmente, não acho que os momentos menos inspirados atrapalhem a fluidez das correntes de ódio e obsessão que trespassam os pensamentos de Barker. Contudo, quando você compara cenas envernizadas como a do palanque de Pirelli com aquele de Batman Returns em que Walken triunfa soberano, vemos como este Sweeney Todd empalidece sua relevância dentro da filmografia de Tim Burton. E repito com mais ênfase a frase dita acima: com 5, 6 cortes ele é capaz de operar milagres com uma dramaturgia simples e aparentemente fácil de tão bem pensada.

