sexta-feira, 20 de março de 2009

Rambo IV


O filme chafurda na falta de Método do diretor, que parece confortável com a idéia de filmar tomadas mal alinhavadas, em desleixo impressionante, até sem precedentes talvez no circuito de 2008, e entregá-la ao boicote da montagem (sensível como uma britadeira ao situacionismo da personagem na trama). Falta-lhe qualquer coisa de impressivo em suas impressões sobre Rambo. Não há atenção suficiente aos gestos, e desses gestos uma dimensão de fluxo qualquer, em meio também a tantos cortes meramente quantitativos. Daí acaba por não situar a personagem num tempo e espaço SEUS, mas em subordiná-lo ao tempo/espaço da maioria, enfim: ele se acumplicia com os outros que o oprimem, e não trata de entendê-lo, de situá-lo em sua diferença, como faz um gande encenador. Questão de moral, ainda e sempre. Ao picotar sua intimidade pela montagem, Stallone o expõe à fragilidade do objeto visado pelo outro que o oprime. Só vemos partes da pessoa (como numa pintura cubista), nunca a presença plena e total.