domingo, 15 de março de 2009

Clint Eastwood


Gosto quando, em westerns, as personagens de Clint Eastwood evitam a aproximação delas. Blindam-se do contato humano durante a reconstrução prévia de um interior estilhaçado; nada nem ninguém parece merecer um depósito de confiança. A figura que apresentam aos demais é a do rastilho curto, incidido na deambulação atrevida pelo espaço, enquanto deixam se guiar pela iminência de um confronto decisivo. O fim da linha é traçado por contornos díspares, no entanto. Há excertos de heroísmo, senso de justiça, provocações gratuitas, ressentimentos e romantismo, aliciados pelas vozes de seus demônios internos, em cujas faces se sobressaem as marcas da não assimilação a um mundo dominado pela violência; ou conexo a alguma forma de convencionalismo que vete o direito à liberdade individual. Gosto destas personagens pela riqueza de sua tradução, trabalhada na simplicidade e evidência expressiva. Sobretudo pela harmonia com que se sucedem seus estados de espírito, o que dá às texturas das presenças um brilho autônomo e refulgente de unidade.