
A primeira impressão que transparece em Mickey Rourke é que tudo nele é articulado aos detalhes; e isso talvez aconteça por ser diabolicamente observador, nada lhe escapar. Em seguida, uma vivacidade meio infantil, encantadora, cheia de armadilhas no seu olhar prontas para atuar no ataque a outra pessoa, ou em defesa brusca por algum ideal. Esse perfil de fragilidade, sedução e adorável manipulação talvez lhe empreste a intimidade e intensidade ideais à postura dos seus papéis mais freqüentes, a do brilhante homem frágil, mas há certamente algo mais: o respeito às distâncias e a capacidade de captar (e inserir) os dados circunstanciais da Cena na formação dos pontos luminosos de sua Atuação; acompanhantes da mais perfeita lisibilidade de relato e condensação da matéria dentro do que está associado à competência/naturalidade/vigor dentro do cinema.