sexta-feira, 20 de março de 2009

Dogville

Câmera antropomórfica, direta no acompanhamento das personagens. Ao mesmo tempo em que, a partir marcação dos atores, perscruta o ambiente. Sua disposição é revelar as nuances simbólicas de um cenário que é composto basicamente por traços demarcatórios de uma propriedade a outra. O grande vazio de suas vidas será designado como imagem reitora, em Dogville. Estamos diante de uma análise combinatória de ações, psicologias e resoluções dramáticas, que conta como pano de fundo alguns aspectos reminiscentes e negativos da história norte-americana. Grace, que é a única pessoa decente do filme, será castigada cruelmente pelos demais moradores. Sim, a narrativa frouxa e assente no sentimentalismo piegas tem um objetivo muito claro: usá-la como pretexto para ‘deslindar’ os limites a que foram submetidos os cidadãos americanos; revelados numa prisão materialista, provinciana e falsa moral na visão programática do diretor. Ao imiscuir recursos sonoros e metafóricos, utilizando-os como agentes dilatadores do raio de ação, o filme se prende a uma camisa de força involuntária. Tais ditames soam demasiado didáticos e ostensivos nos movimentos de um quotidiano não menos banal nos mecanismos críticos lhes pertencente: a par do choque como gesto político contra o jogo de aparências da sociedade, porém devedores à firmeza de sua progressão cênica. Em suma, o filme parece mal pensado; entulhado de exclamações deterministas.