A filmografia de Gray é algo tão belo, tão simples; tão natural. O que percebemos em seu legado é abundância de fluência cósmica (como em todo grande artista); uma categórica alquimia da imagem/sentimento e do verbo fundida ao nascimento dos sulcos fílmicos. Os Donos da Noite pertence ao grupo mais raro das artes, aquele sobre o qual não há muito que falar. Mas somente contemplar a grandeza de algo à altura do que tem de ser ou passar. Teríamos como descrever algo a respeito da morte de Marlon Brando diante do netinho em O Poderoso Chefão? Em similar escala de candura presente no mútuo “Eu te amo” dos irmãos Grusinsky, ao final de Os Donos da Noite, contemplamo-lo em algo tão penetrante que diríamos estar diante do mesmo, por conta de sua estimulante nudez de espírito. É o mesmo que nos remete Truffaut a Um Dia no Campo, de Renoir: diríamos ser capazes de sentir cada capim do filme a tocar o rosto. E que, aqui, poderia se relacionar à excepcional cena da perseguição a Vadim, em sentido angustiante. É difícil falar qualquer coisa sobre a poesia a retocar a relação entre as personagens centrais e seu pai sem correr o risco de cometer algum crime contra a sua beleza e lisibilidade.Filiação classicista, aproximação temática e tonal de alguns cineastas americanos dos 70’s… Será mesmo necessário recorrer a isto? Eu, por minha vez, passo o gargalo da repetição para esses megalomaníacos sem chassi cultural que escrevem para as nossas “melhores” revistas.

