sexta-feira, 20 de março de 2009

Paris, Texas

As composições desencantadas de Wenders, em Paris, Texas, tendem a evocar-me o sentimento lúgubre transmitido em algumas paisagens de Michelangelo Antonioni. Não por conta de filiações estéticas ou intensidades correlatas. Mas pelo resultado da metodologia com que captam a desolação de suas personagens avulsas, entabulada através da perspectiva do plano aberto, e do peso outonal da imagem-distância pincelada. Ao rebate das agruras internas dos objetos, ambos sustentam uma precisão no domínio das sugestões emocionais, provavelmente, associável a pouquíssimos outros nomes. Belo filme. Grandes interpretações. De ressalva, uma ou outra metáfora infeliz à morte do cinema e aos agentes da alienação da sociedade moderna, porque simplistas.