domingo, 15 de março de 2009

Planeta Terror


Não só uma homenagem ao universo exploitation como ao cinema do excesso e despretensão. Mais ainda: ao cinema da ação pura, da ação pelo movimento do inesperado; da ação pela adrenalina, da ação pela ação. Neste sentido, a nota de “ausência” do rolo que seria decisivo para o andamento da história, no tocante à união das personagens principais contra os monstros comedores de gente, só serve para corroborar o recado de Robert Rodriguez. Não veremos interesse, aqui, pela “profundidade” dramática, uma condensação dos princípios reguladores de suas personagens. Importa-lhe um registro de Terror do choque pelo choque. É um filme autônomo, na corda bamba da diluição e da reflexão anárquica do cinema a que reverencia, objetivo e extremamente potente ao que se propõe; fiel ao escoamento criativo de sua(s) atmosfera(s) como foco principal, em detrimento de qualquer outra coisa, ainda que esta venha a ser a própria lógica ou centralidade narrativa. Planeta Terror constitui um passo a frente de Um Drink no Inferno, bom filme da mesma leva de mergulho ao gênero na filmografia do diretor; verdadeiro colosso de timing e arquitetura das cenas.