sábado, 14 de março de 2009

Da Sensibilidade Dramática

Nenhum curso é capaz de garantir a fabricação do artista. Contudo, muitos atores parecem usar de sua inscrição em algum de renome para que seja convencido de modo mais amplo que realmente o são. Acho que pela proximidade à miopia de uma mídia cada vez mais parecida com um estandarte de gestos típicos aos de uma praça pública mal freqüentada, acabam esquecendo do fundamental: há que haver sensibilidade para se filtrar a essência do tônus da investida. É neste ponto que o curso, inclusive, deve potencializar o trabalho do ator. E acredito que para isso a auto-disciplina seja a média áurea da questão quando, obviamente, trabalhada ao gênio inato da pessoa durante a sua coleta de dados quotidianos. Seria algo similar a um respaldo ao treinamento natural a que recorremos com maior facilidade e empenho na infância; coisas como olhar fixamente para partes dos corpos, nuvens, estruturas arquitetônicas, variações somáticas e vocais num determinado contexto emocional, guiadas pela força do interesse na entrega ou nos fins específicos. É algo venal, oposto aos filtros de uma percepção erigida a toque de caixa, tão comum aos aventureiros da classe.