domingo, 15 de março de 2009

Nascido para Matar


Nascido para Matar apresenta um poder de contenção e sugestão visual altamente trabalhado em cena, que conflui na elaboração do método determinante de suas texturas e retratos bem amarrados. Há o tom de escracho de Kubrick excedendo ao burlesco das figuras militares e das situações humilhantes pelas quais passam os recrutas; a fábrica de assassinos do Sargento Hartman dada em finas camadas de domínio do quadro. Através de dinâmicos movimentos internos, o caráter humano é reduzido a manadas e a sombras recalcadas de um processo filial a um dos mais ásperos extratos da regulação social, que é, sem meias tintas, o serviço militar. Numa abordagem atenta do processo de deterioração da saúde mental, os soldados são enviados ao terror peculiar do que representa uma guerra: o cúmulo da castração do Indivíduo. E acertam o alvo a inventividade dos diálogos e dos respaldos formais do mini-documentário bolado pelo diretor para compactar todo o seu desprezo pelo episódio da guerra do Vietnã (efetivo manipulado, chacinas civis, mascarada imperialista), concentrados em distinta coordenação de fluxo.

Entre alguns períodos de excessiva busca pela narração, e desinteresse por calcificá-la na ossatura dramática, o filme mostra-se a um pé do fashionable e da pasteurização das ações. Felizmente, a um passo não comprometedor. Convém lembrar.