segunda-feira, 16 de março de 2009

La Maman et la Putain


“Todavia bloqueado pelo sistema econômico do cinema francês, Eustache passou muitos meses escrevendo La Maman et la Putain. Estava obcecado por este projeto autobriográfico e sonhava constantemente com ele. Em 1971, sem fundos e sem outra coisa para fazer, se ofereceu para montar meu filme Une Aventure de Billy the Kid. Frente à maviola, sem interromper a montagem, recitava o diálogo que havia escrito em seu grande caderno à noite interior. O roteiro era uma série de conversações (um pouco como Rohmer), e estava testando-mo, tal como havia feito com outros, observando nossas reações aos paradoxos formulados por seu herói Alexandre, que seria vivido por Jean-Pierre Léaud. O que surgia era uma sorte de anarquismo de direita, não muito distante ao das novelas de Céline. Não havia motivos ideológicos por trás de tudo isto, mas sim a necessidade de provocar própria de Eustache, e pelo fim de ‘68 é necessário ser dito que o anarquismo de direita era bastante provocativo. Também era a vingança de Eustache contra um sitema cinematográfico que o havia excluído. O êxito de La Maman et la Putain se apóia provavelmente na necessidade de Eustache e Léaud de empreender este improvável trabalho de logorréia anticonformista. Mas o filme também capturou a fala e particularmente as ações do período que seguiu ‘68 sem adoçá-las. Poderia ser dito que a força do filme vem desta mescla insolente de sentimentos de direita e esquerdismo sexual.”

Luc Moullet. Traduzido por Felipe Medeiros de Morais.