
“Todavia bloqueado pelo sistema econômico do cinema francês, Eustache passou muitos meses escrevendo La Maman et la Putain. Estava obcecado por este projeto autobriográfico e sonhava constantemente com ele. Em 1971, sem fundos e sem outra coisa para fazer, se ofereceu para montar meu filme Une Aventure de Billy the Kid. Frente à maviola, sem interromper a montagem, recitava o diálogo que havia escrito em seu grande caderno à noite interior. O roteiro era uma série de conversações (um pouco como Rohmer), e estava testando-mo, tal como havia feito com outros, observando nossas reações aos paradoxos formulados por seu herói Alexandre, que seria vivido por Jean-Pierre Léaud. O que surgia era uma sorte de anarquismo de direita, não muito distante ao das novelas de Céline. Não havia motivos ideológicos por trás de tudo isto, mas sim a necessidade de provocar própria de Eustache, e pelo fim de ‘68 é necessário ser dito que o anarquismo de direita era bastante provocativo. Também era a vingança de Eustache contra um sitema cinematográfico que o havia excluído. O êxito de La Maman et la Putain se apóia provavelmente na necessidade de Eustache e Léaud de empreender este improvável trabalho de logorréia anticonformista. Mas o filme também capturou a fala e particularmente as ações do período que seguiu ‘68 sem adoçá-las. Poderia ser dito que a força do filme vem desta mescla insolente de sentimentos de direita e esquerdismo sexual.”
Luc Moullet. Traduzido por Felipe Medeiros de Morais.

