
Louco; inimigo do clownesco. Não atua, mas vive (para) seu personagem. Gênio antropomórfico do nonsense. Dotado de uma erudição corporal do mais alto nível, repleta de sutilezas de exímia elaboração. Santo picareta, segue rindo de si, da platéia e de qualquer lógica que não seja a sua, completamente insondável. Sublime e perturbador, é capaz de se reinventar a cada imitação de si mesmo, especialmente quando se apequena em simples porém exatos bordões filosóficos: "Quem é você?"; "Quando eu morrer...". Não combina com coisa alguma no mundo; não foi feito à semelhança de nada. Nem por isso tem o comodismo de lamuriar-se como um anjo predestinado a sofrer e a falar de sua própria poesia-merda. A única verdade que lhe importa está contida no seu olhar e entre seu sorriso: é mais um dos grandes outsiders da arte moderna.
Se "a morte não suporta que riam dela", Tiririca já nasceu sabendo. Iconoclasta incorrigível, não se importa muito com isto. É através desta, entre suas várias subversões, que ele se torna simplesmente imortal.


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