domingo, 30 de março de 2008

The Man Who...


O Travis dá prosseguimento à estrutura melódica do simpático Good Feeling, em The Man Who. As canções são assinadas com a mesma veia baladeira, melancólica e lírica do álbum de estréia. Concomitante, a sonoridade retrô da banda é abastecida ainda mais pelo rock sessentista, que tanto a caracteriza, aliado a generosas insinuações à Folk-Music e piscadelas com o Blues.

Pode-se notar, também, um delineamento maior da predileção de Fran Healy por descrições psicológicas dos efeitos da solidão; numa parcela bem parecida com a de um Morrissey: sendo Healy um pouco menos interessante, por cair com maior freqüência em clichês e atolar-se, na mesma proporção, em tacanhas investidas à chantagem emocional (sem a deliciosa ironia do líder dos Smiths).

O talento de Healy, se não impressiona como força inovadora, espanta pela incrível metabolização criativa de suas melodias grudentas; transforma todas as faixas em possíveis hits radiofônicos. Unindo o útil ao agradável, o bom nível das composições se iguala à sua potencialidade comercial - exceto por The Fear e As You Are, constrangedoras pelo discorrimento de censurável complacência.

Certamente, Writing To Reach You, Driftwood, Turn, Why Does It Always Rain On Me? e She's So Strange derreterão muitos fones de ouvido por aí. E não envelhecerão mal, como alguns álbuns posteriores da banda: formuláicos sem um mínimo constrangimento, ou bom senso.

Nenhum comentário: